sábado, 8 de julho de 2023

Se eu morrer sem aviso | B. J. A. Falcão


SE EU MORRER SEM AVISO

Se um dia eu morrer sem aviso, num dia qualquer, me perdoem – não foi intencional. Aliás, ninguém estará mais constrangido que eu pelo incomodo involuntário.

Não quis atrapalhar a rotina de uma terça-feira comum, muito menos interromper as possibilidades alegres de um sábado de sol.

Por isso, se assim ocorrer, dispenso todos da presença... Já não resta nada que possam dizer que altere a realidade inexorável... A morte é o ponto final de todas as palavras - as que dissemos e as que calamos... Então, nesse momento, melhor é o silêncio...

Todos conhecemos o fim da história... e apesar disso sempre nos surpreendemos....

A única certeza é que um dia partiremos: partiremos inesperadamente ou de forma lenta... de morte natural ou trágica... amanhã.. no próximo mês... daqui muitos anos... Quem sabe? Haverá algo além ou será definitiva essa despedida? Entretanto, apesar da angústia natural de quem espera, é justamente essa imprevisibilidade do já conhecido, essa incerteza sobre o “como?”, “quando?” e o “depois” que tornam o tempo tão precioso e fazem da vida - esse sopro efêmero na imensidão do infinito -um intervalo fantástico e assustador, nessa ambiguidade quase antagônica que habita o âmago da existência.

B. J. A. Falcão

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